Ícone do site Recivil

Minas Gerais tem a maior delegação pelo segundo ano consecutivo no CONARCI 2026

Com 54 representantes, Estado ampliou sua presença no principal congresso nacional do Registro Civil, realizado pela primeira vez na Região Norte

Minas Gerais teve, pelo segundo ano consecutivo, a maior delegação entre os estados participantes do Congresso Nacional do Registro Civil (CONARCI). Em sua 32ª edição, o evento reuniu registradores civis, magistrados, autoridades, juristas e especialistas de diferentes regiões do país, entre os dias 27 e 29 de agosto, em Belém (PA).

Realizado pela primeira vez na Região Norte, o CONARCI 2026 teve como tema “Uma Amazônia de Pessoas — o Registro Civil que escreve histórias e garante direitos”. Organizado pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), com apoio da Arpen/PA, o congresso promoveu dias de debates sobre os desafios, as transformações e o futuro da atividade registral no Brasil.

A delegação mineira contou com 54 representantes, entre oficiais e profissionais do Registro Civil, que acompanharam a programação e contribuíram para ampliar a presença de Minas Gerais nas discussões nacionais sobre a atividade.

Abertura destaca Registro Civil como garantia de direitos

A programação teve início com a aula magna do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que destacou a relação entre Registro Civil, cidadania e garantia de direitos.

Durante sua exposição, o ministro abordou temas como o sub-registro, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, a sustentabilidade das serventias, a desjudicialização, a ampliação das atribuições dos registradores e o uso responsável da tecnologia.

“Quando nós falamos do Registro Civil e dos registros de um modo geral, nós estamos falando de garantia de direitos.”

A realização do congresso em Belém também trouxe para o centro dos debates as particularidades territoriais da Amazônia e os desafios para assegurar documentação e acesso a direitos às populações que vivem em áreas remotas.

Sustentabilidade das serventias entra em pauta

Ainda entre os temas de destaque da programação, a sustentabilidade econômico-financeira das serventias foi discutida a partir de uma análise apresentada pelo economista e ex-presidente do Banco Central Gustavo Jorge Laboissière Loyola.

O estudo abordou os impactos do aumento das gratuidades, das obrigações e dos custos relacionados a pessoal, tecnologia e segurança da informação.

Segundo a análise apresentada, o crescimento das despesas sem aumento proporcional das fontes de receita amplia o risco de vacância e afeta especialmente as serventias localizadas em municípios de menor demanda.

Para Loyola, a sustentabilidade financeira deve ser compreendida como parte da própria política de universalização do Registro Civil.

Tecnologia e inovação para ampliar o acesso

A transformação digital também esteve entre os assuntos centrais do congresso.

Luis Carlos Vendramin Júnior, presidente do Operador Nacional do Registro Civil (ON-RCPN), apresentou avanços relacionados ao Registro Civil eletrônico e soluções como o Meu Registro, o IdRC, o e-Óbito, as novas unidades interligadas e a INFRAREF.

As discussões destacaram o papel da tecnologia na simplificação de processos e na ampliação do acesso aos serviços, sem criar barreiras para os cidadãos.

Recivil participa dos debates no segundo dia

No segundo dia do congresso, o Recivil ampliou sua participação na programação técnica com a atuação de seu presidente, Genilson Gomes, como moderador do painel “A Reforma e Compliance Tributário para o Registro Civil”.

O painel reuniu Maurício Zockun, professor de Direito Administrativo da PUC/SP e advogado da Anoreg/BR, e Tiago de Lima Almeida, presidente da Comissão Especial de Desjudicialização do Conselho Federal da OAB.

A discussão abordou os impactos das mudanças tributárias sobre as serventias, incluindo questões relacionadas à tributação de interinos e interventores, ao ressarcimento dos atos gratuitos, aos depósitos prévios e à implementação do IBS e da CBS.

O debate também trouxe à discussão a necessidade de considerar as particularidades econômicas do Registro Civil diante das novas exigências tributárias.

A participação do Recivil no painel integrou a atuação da delegação mineira no congresso e reforçou a presença de Minas Gerais nos debates que tratam diretamente dos desafios enfrentados pelas serventias em todo o país.

Identidade, diversidade e cidadania

A programação também contemplou diferentes realidades sociais e os desafios do Registro Civil para garantir direitos.

Um dos painéis discutiu a situação de refugiados, asilados e migrantes indocumentados, com foco em documentação, identidade jurídica, acolhimento e acesso a direitos.

Outro debate tratou dos avanços da Resolução Conjunta nº 12/2024 do CNJ/CNMP para o Registro Civil dos povos indígenas. Entre os temas estiveram o direito ao nome indígena, o reconhecimento da etnia, do clã, do território de origem e da língua, além da necessidade de atendimento intercultural.

As discussões reforçaram o papel do Registro Civil como instrumento de reconhecimento, inclusão e garantia de direitos, considerando as diferentes identidades e realidades existentes no país.

Minas Gerais em destaque no cenário nacional

Ao longo de três dias, o CONARCI 2026 reuniu representantes de diferentes estados para discutir os desafios atuais e as perspectivas para o Registro Civil brasileiro.

Pelo segundo ano consecutivo, Minas Gerais teve a maior delegação do congresso, expressando a mobilização dos registradores mineiros e a relevância da participação do Estado nas discussões nacionais sobre o futuro da atividade.

Para o presidente do Recivil, Genilson Gomes, a presença mineira no congresso demonstra a força e a representatividade do Registro Civil de Minas Gerais no cenário nacional.

“O CONARCI é um espaço fundamental para reunirmos diferentes experiências, discutirmos os desafios da atividade e construirmos caminhos para um Registro Civil cada vez mais preparado para atender às necessidades da sociedade. Para Minas Gerais, estar presente com a maior delegação pelo segundo ano consecutivo é motivo de orgulho e demonstra o compromisso dos registradores mineiros com o fortalecimento da atividade em todo o país.”

Segundo Genilson, a realização do congresso pela primeira vez na Região Norte também ampliou a perspectiva sobre as diferentes realidades enfrentadas pelo Registro Civil brasileiro.

“Estar em Belém, na Amazônia, também foi muito significativo. O congresso nos permitiu olhar para as particularidades de um território com desafios próprios e compreender que, apesar das diferenças regionais, temos um compromisso comum: garantir que cada cidadão tenha sua identidade reconhecida e possa acessar seus direitos. Minas Gerais participa desse debate levando sua experiência e, ao mesmo tempo, aprendendo com outras realidades.”

A participação mineira no CONARCI 2026 reafirma, assim, a presença do Estado nas discussões nacionais e a atuação do Recivil na representação e no fortalecimento do Registro Civil de Pessoas Naturais em Minas Gerais.

A 32ª edição colocando em evidência a necessidade de uma atividade registral capaz de acompanhar as transformações da sociedade e, ao mesmo tempo, garantir que documentação, identidade e direitos estejam ao alcance de todos os cidadãos.

Sair da versão mobile