O Jornal O Globo publicou, no dia 8 de janeiro, a matéria “Identidade Preservada – Da liberdade à burocracia, por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido”, trazendo um panorama atual sobre as transformações nos costumes relacionados ao casamento e à identidade feminina no Brasil.
Entre as fontes ouvidas está Letícia Maculan, Registradora Civil das Pessoas Naturais e Tabeliã de Notas do Cartório do Barreiro/MG, além de integrante da diretoria do Recivil. Na reportagem, Letícia contribui tanto com sua experiência pessoal quanto com sua atuação profissional, oferecendo uma análise qualificada sobre o tema.
Ao longo da matéria, Letícia compartilha sua vivência ao optar pela mudança de sobrenome a partir do matrimônio, contextualizando a decisão a partir de referências históricas e dos costumes sociais vigentes à época. A reflexão dialoga com sua experiência cotidiana nos cartórios, onde acompanha de perto as escolhas feitas por casais.
A reportagem apresenta ainda um levantamento dos Cartórios de Registro Civil do Brasil, que revela uma mudança significativa no comportamento das mulheres. Em 2024, apenas 39,7% dos matrimônios registraram a adoção do sobrenome do marido pelas mulheres, percentual abaixo de 40% pelo segundo ano consecutivo, consolidando o menor patamar da série histórica. Em 2023, esse índice era superior a 49%.
Embora mais de 371 mil mulheres ainda tenham adotado o sobrenome do cônjuge em 2024, a maioria passou a optar por manter o nome de origem. Entre os principais motivos estão o receio da burocracia para atualização de documentos e, sobretudo, o desejo de preservar a própria identidade.
O fenômeno também se reflete em outro dado expressivo: se há duas décadas cerca de um terço das uniões não envolvia mudanças de sobrenome por nenhuma das partes, atualmente mais da metade dos casais segue esse caminho, sem alterações nominais.
Especialistas ouvidos pelo jornal apontam que esses números expressam um movimento de independência feminina, associado à ampliação da qualificação profissional das mulheres e à sua crescente inserção no mercado de trabalho, fatores que fortalecem a autonomia nas decisões pessoais e jurídicas.

Fonte: Jornal O Globo, 8 de janeiro de 2026.
