Evento no Centro de Referência das Juventudes, em BH, ofereceu emissão de segunda via de documentos, além de serviços e atividades culturais, promovendo dignidade e cidadania
No rosto de Silvânia Pinto da Silva, de 64 anos, o brilho da esperança se misturava à ansiedade enquanto aguardava, no sábado, 6 de setembro, a emissão de uma nova certidão de nascimento. O documento era essencial para integrar sua lista de documentos necessários à inscrição na faculdade. “Hoje moro em um abrigo, mas continuo estudando. Além disso, escrevo livros, microcontos sobre a minha vida. No ano que vem quero ingressar na faculdade de Direito”, contou. Para ela, a certidão emitida representa muito mais que um papel: é a chave para manter vivas conquistas e sonhos.
Histórias como a de Silvânia se repetiram ao longo de toda a edição do “Rua de Direitos”, realizada no Centro de Referência das Juventudes (CRJ), em Belo Horizonte. Coordenada pelo Núcleo de Voluntariado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e pelo Comitê PopRua/Jus, a ação integra a Política Nacional de Atenção a Pessoas em Situação de Rua, prevista em resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Das 8h às 13h, centenas de atendimentos gratuitos foram oferecidos, incluindo emissão de documentos, serviços de saúde, assistência social e atividades culturais. Entre os parceiros, o Recivil teve papel de destaque: foram disponibilizadas segundas vias de certidões de nascimento, casamento e óbito. Ao todo, 96 certidões foram solicitadas, garantindo a muitas pessoas o acesso a um direito básico.
Justiça e acolhimento
A desembargadora superintendente do Núcleo de Voluntariado do TJMG e coordenadora do Comitê PopRua/Jus, Maria Luíza de Marilac Alvarenga Araújo, destacou o alcance social da iniciativa:
“A realização desse evento é a efetivação da Resolução nº 425/2021 do Conselho Nacional de Justiça, que dispõe sobre a Política Nacional Judicial de Atenção às Pessoas em Situação de Rua e suas Interseccionalidades. A exemplo do ano passado, esperamos cerca de mil pessoas. (…) Um evento como esse tem vários objetivos: acolher, garantir acesso a serviços básicos, resgatar a dignidade social e sensibilizar a sociedade para essa realidade.”
Na mesma linha, o Juiz Sérgio Henrique Cordeiro Caldas Fernandes, Juiz Auxiliar da Corregedoria e Diretor do Foro de Belo Horizonte, reforçou que a construção coletiva é o diferencial do programa:
“O programa começou em 2015, com mutirões, audiências públicas e convênios. É uma ação colaborativa que envolve não apenas o Tribunal de Justiça, mas também áreas como o Recivil. O mais gratificante é ver, no final, o sorriso de alguém que conseguiu um documento ou resolveu parte importante da sua vida. Isso é o que vale a pena para nós.”
A atuação do Recivil
A presença do Recivil foi lembrada com entusiasmo pelos organizadores e reconhecida pela própria equipe. Para Leila Xavier, coordenadora do departamento de Projetos Sociais do Recivil, a cada edição o impacto é ainda mais perceptível:
“Cada ano que passa tem sido melhor. A organização sempre nos surpreende, trazendo algo diferente, com atividades e serviços fundamentais para essa população. Muitos desses serviços são de difícil acesso no dia a dia e, às vezes, o simples fato de ter que entrar em um prédio já gera constrangimento para quem está em situação de rua. Essa ação reúne atendimentos em um só lugar e garante acesso facilitado.”
A diretora do Recivil Soraia Souto Boan Carvalho também reforçou o caráter transformador da iniciativa:
“Passar por essa porta é uma transformação. Sempre digo que quando a gente entra no Centro de Facilitação para participar desses projetos, sai pela outra porta transformada. É a porta da cidadania: vemos o interesse das pessoas em manter suas certidões sempre em dia. (…) A gente vem para colaborar, mas, na verdade, quem é transformado somos nós, que participamos desse trabalho.”
Vozes da população
Se para o Recivil o trabalho tem efeito transformador, para quem busca o serviço o impacto é imediato. Para Adelaide Fabrícia, moradora de Belo Horizonte, obter a segunda via da certidão de nascimento era vital para garantir cidadania e preservar sua saúde:
“Perdi minha certidão de nascimento há menos de um mês, mas a minha maior preocupação não é o documento, é a insulina, porque sou diabética tipo 1. Sem a documentação em dia, não consigo retirar o medicamento no SUS. É uma urgência da minha saúde e da minha vida.”
Cidadania em prática
Ao reunir em um mesmo espaço serviços de diferentes áreas, o “Rua de Direitos” mostrou que a cidadania é feita de ações concretas. Para pessoas como Silvânia e Adelaide, significa a oportunidade de reescrever trajetórias, recuperar a dignidade e acreditar em novas possibilidades.
E, para o Recivil e demais parceiros, significa também a certeza de que cada atendimento transforma vidas — inclusive a de quem se dispõe a servir.
Posts relacionados
ARQUIVOS
- maio 2026
- abril 2026
- março 2026
- fevereiro 2026
- janeiro 2026
- dezembro 2025
- novembro 2025
- outubro 2025
- setembro 2025
- agosto 2025
- julho 2025
- junho 2025
- maio 2025
- abril 2025
- março 2025
- fevereiro 2025
- janeiro 2025
- dezembro 2024
- novembro 2024
- outubro 2024
- setembro 2024
- agosto 2024
- julho 2024
- junho 2024
- maio 2024
- abril 2024
- março 2024
- fevereiro 2024
- janeiro 2024
- dezembro 2023
- novembro 2023
- outubro 2023
- setembro 2023
- agosto 2023
- julho 2023
- junho 2023
- maio 2023
- abril 2023
- março 2023
- fevereiro 2023
- janeiro 2023
- dezembro 2022
- novembro 2022
- outubro 2022
- setembro 2022
- agosto 2022
- julho 2022
- junho 2022
- maio 2022
- abril 2022
- março 2022
- fevereiro 2022
- janeiro 2022
- dezembro 2021
- novembro 2021
- outubro 2021
- setembro 2021
- agosto 2021
- julho 2021
- junho 2021
- maio 2021
- abril 2021
- março 2021
- fevereiro 2021
- janeiro 2021
- dezembro 2020
- novembro 2020
- outubro 2020
- setembro 2020
- agosto 2020
- julho 2020
- junho 2020
- maio 2020
- abril 2020
- março 2020
- fevereiro 2020
- janeiro 2020
- dezembro 2019
- novembro 2019
- outubro 2019
- setembro 2019
- agosto 2019
- julho 2019
- junho 2019
- maio 2019
- abril 2019
- março 2019
- fevereiro 2019
- janeiro 2019
- dezembro 2018
- novembro 2018
- outubro 2018
- setembro 2018
- agosto 2018
- julho 2018
- junho 2018
- maio 2018
- abril 2018
- março 2018
- fevereiro 2018
- janeiro 2018
- dezembro 2017
- novembro 2017
- outubro 2017
- setembro 2017
- agosto 2017
- julho 2017
- junho 2017
- maio 2017
- abril 2017
- março 2017
- fevereiro 2017
- janeiro 2017
- dezembro 2016
- novembro 2016
- outubro 2016
- setembro 2016
- agosto 2016
- julho 2016
- junho 2016
- maio 2016
- abril 2016
- março 2016
- fevereiro 2016
- janeiro 2016
- dezembro 2015
- novembro 2015
- outubro 2015
- setembro 2015
- agosto 2015
- julho 2015
- junho 2015
- maio 2015
- abril 2015
- março 2015
- fevereiro 2015
- janeiro 2015
- dezembro 2014
- novembro 2014
- outubro 2014
- setembro 2014
- agosto 2014
- julho 2014
- junho 2014
- maio 2014
- abril 2014
- março 2014
- fevereiro 2014
- janeiro 2014