Três Corações (MG) – A equipe de projetos sociais do Recivil realizou mutirão de documentação na Penitenciária de Três Corações. A unidade é a única penitenciária do Sul de Minas, e se localiza em uma região onde os índices de criminalidade são acentuados.
Com capacidade para 542 detentos, a penitenciária abriga atualmente mais de mil presos. Mesmo diante desse quadro, a unidade desenvolve diversas parcerias em colaboração com o Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Poderes Executivo e Legislativo, professores, empresas, comunidade e instituições religiosas da região.
Detento assina pedido de segunda via de certidão
A penitenciária está sem profissional de serviço social há cerca de dois anos, o que dificulta a documentação dos detentos. Mesmo com todos os esforços para solucionar esse problema, a unidade encontra dificuldades para emitir o cartão de pagamento dos detentos que trabalham nas parcerias, uma vez que é necessário ter a documentação completa do preso para abrir a conta bancária.
A diretora de atendimento e reintegração social, Anelise Mendonça, afirmou que a motivação está na certeza de que o trabalho tem dado certo. “O agradecimento do preso e dos familiares por darmos condições para o cumprimento da pena de forma digna, como manda a lei, é o que nos motiva a continuar”, declarou a diretora.
Desde a inauguração da penitenciária, em 2006, houve uma resistência por parte da população. Para mudar essa realidade foram feitos diversos investimentos, nas áreas de segurança e ressocialização. Dentre os programas desenvolvidos na unidade, se destaca o Projeto Solar, que foi idealizado pela juíza Aila Figueiredo, especialmente para mudar o olhar de rejeição da comunidade com a vinda da penitenciária. Atualmente, o projeto desenvolve uma produção artesanal de objetos de decoração com materiais recicláveis. Faz parte da iniciativa também a manutenção de uma horta, que tem sua produção doada para a APAE e para escolas da região.
(Esq. para a dir.) Juíza Aila Figueiredo, Mateus Barros (Presidente da Solar), Anelise Mendonça, Liliane Vilela e Cícero Caldeira (ao centro)
A juíza informou que é difícil conseguir apoiadores para a causa, no entanto, é preciso pensar que as pessoas que estão presas um dia irão sair. “A nossa tendência é a repetição, e o que estamos querendo mostrar é que existe uma possibilidade, uma nova opção. Sensibilizar quem está longe é mais difícil e a direção da unidade abraçou a causa”, enfatizou Aila Figueiredo.
As detentas, Gabriela Sales e Fernanda da Silva, participaram das oficinas do Projeto Solar e também estudam na escola da unidade. Elas afirmam que a oficina tem mudando inclusive a autoestima. “Me julgava pelo meu crime e achava que as pessoas fariam o mesmo, mas o artesanato se tornou um elo de humanização dentro do presídio”, acrescentou Gabriela.
A professora e artista plástica, Vanda Melo, acredita que o trabalho desenvolvido na penitenciária é também uma oportunidade de contribuir para mudar a realidade. “É preciso respeitar o tempo de aprendizagem de cada um, todos podem aprender algo novo por meio das técnicas. E a arte é uma forma de dar conforto e humanizar a pena”, concluiu.
A professora Vanda apresenta os trabalhos produzidos pelas presas
Liliane Vilela, gerente de produção, informou que desde o início do projeto a ideia foi se desvincular do artesanato comum de presídios. “A proposta é a de profissionalizar as detentas para que elas criem peças que possam ser expostas e consumidas por diversos públicos, dando a elas novas perspectivas de trabalho e renda”, pontuou Liliane. Segundo a gerente de produção, a preocupação não está apenas em abrir novas frentes de atividades, mas, também, em buscar condições adequadas de trabalho e acompanhamento comportamental do detento liberado pela CTC – Comissão Técnica de Classificação, que avalia periodicamente o preso e suas aptidões e limitações.
Toda renda obtida no projeto, com a venda das peças confeccionadas é revertida para a manutenção das atividades, e juntamente com o Conselho da Comunidade tem promovido a solução de pequenas solicitações dentro da penitenciária. Desde a compra de lâmpadas, inaladores, materiais esportivos, material de limpeza e a aquisição de computadores que são utilizados por 20 detentos para cursar faculdade à distância. “Tais medidas contribuem para diminuir a tensão dentro da unidade, além de promover uma aproximação da comunidade com o sentenciado”, informou o ex-presidente da Solar, Cícero Caldeira.
Detentas confeccionam flores ornamentais em tecido
A unidade também desenvolve diversas parcerias com empresas privadas, como a Tigre. De acordo com seu representante, Emersom Ribeiro, a linha de montagem dentro do presídio é semelhante a da fábrica e os detentos são vistos e ouvidos como qualquer outro funcionário da empresa.
Para 2015, além das parcerias atuais, a unidade já está em negociação com uma empresa do setor automotivo e outra do ramo de carteiras em couro. Outras oficinas do Projeto Solar também terão início, como a estufa para o cultivo de flores, o coral e a criação de uma loja para a venda dos produtos.
Detentos trabalham na fábrica da Tigre instalada na unidade
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